
Como a maioria dos grandes craques do futebol de campo brasileiro, Alexandre Pato desenvolveu suas primeiras habilidades no futebol de salão. Seu pai, como jogador de futebol ativo tanto em campeonatos da empresa quanto da sociedade, costumava levar os filhos no Grêmio Industrial Patobranquense, onde era envolvido com a Diretoria de Esportes e o Conselho Deliberativo. O clube recreativo promovia com assiduidade campeonatos em diversas categorias, menos para a pequena faixa etária de Alexandre. Com 4 para 5 anos, chegou a jogar com os meninos de 8 anos, o que demonstrou ao seu primeiro treinador em Pato Branco, Joel Carvalho, precocidade e talento. O resultado, é que o Grêmio criou a categoria Mamadeira, integrando Pato aos meninos de até 6 anos. Eram companheiros de Pato nas primeiras partidas de sua vida o vizinho de infância Mateus Pereira, o goleiro Andrei Santana e também os amigos Tales e Boquinha.

A estréia pela equipe Mamadeira do Grêmio Industrial foi no Campeonato Interclubes da AABB (Associação Atlética do Banco do Brasil), organizada por Pacheco, do Colégio Vicentino Nossa Senhora das Graças. Alexandre sagrou-se campeão e artilheiro com 12 gols, em 1994. “Fomos campeões, mas não conseguimos levar o título, saímos com troféu de segundo lugar, pois os meninos que perderam ficaram muito tristes e o Pacheco deu o troféu a eles”, lembra o pai Geraldo. Esse foi apenas o começo da trajetória meteórica e vitoriosa de Alexandre, que viria tornar-se Pato dez anos depois, já pelo Sport Club Internacional, de Porto Alegre (RS). Sagrar-se campeão e artilheiro tornou-se comum para Alexandre Pato. Depois do Interclubes vieram outros campeonatos escolares, interbairros, internos e estaduais, como a Taça Parati, a Copa Integração, a Taça Paraná, a Taça Luigi Patriarca (Grêmio Industrial Patobranquense), o Brasileirinho de Futsal, a Copa Regional em São Lourenço do Oeste (SC), a Copa Eucatur, o Torneio Nacional entre Escolas de Futsal, o Campeonato Brasileiro entre Escolas de Futsal e a Copa Mercosul de Futsal de Uruguaiana (RS).

O talento no futebol também oportunizou que Alexandre Pato estudasse nos melhores colégios de Pato Branco, particulares e públicos. Aos três anos, a alfabetização começou no Colégio Santana; após, ele estudou na Escola Municipal São João Batista de La Salle, no CVNSG (Colégio Vicentino Nossa Senhora das Graças), retornou ao La Salle e depois se mudou para o Colégio Mater Dei. Era comum a família receber convites ou benefícios para que o menino estudasse e defendesse o time da escola. Já com 6 para 7 anos, freqüentemente, Alexandre era emprestado para equipes de outros municípios da região e do Paraná, como o Foz do Iguaçu, a Seleção de Mangueirinha, o Eucatur de Cascavel, o time de Palmas e também ao Paraná Clube. A família guarda como relíquia todas as súmulas, medalhas e troféus, mas também chuteiras de jogos importantes, bolas usadas na infância, fotos das primeiras vitórias.

Foi precoce e intensa a cumplicidade que Alexandre Pato passou a ter com a bola. Na copa de 1994, os ídolos dentro de sua casa eram o camisa 7 da Seleção Brasileira, Bebetto, ídolo da avó materna Gasparina; e o camisa 11, Romário, ídolo de sua mãe Rozeli. “Carinhosamente, a avó chamava Alexandre de meu Bebetinho. O Geraldo comprou um quadro da Seleção Brasileira que ficava em cima da cama do Ale. Eu falei para ele: um dia você vai estar ali. Muito mais cedo do que eu imaginava, ele está lá”, conta a mãe, com orgulho.
Foi em 2002, na disputa da 3ª Copa Mercosul de Futsal, em Uruguaiana (RS), que o jovem começou despertar a curiosidade dos olheiros para o futebol profissional. Durante um ano, Alexandre defendeu o Colégio Mater Dei - Pato Branco, contra diversos clubes da América, como o Boca Juniors, River Plate, mas também Inter e Grêmio de Porto Alegre. A equipe terminou em 3º lugar, mas Alexandre foi artilheiro com 14 gols. Por capricho do destino, a primeira equipe gaúcha a se interessar por Alexandre foi o Grêmio Foot-Ball Portoalegrense. Com 10 anos, Alexandre foi levado pelo pai a Porto Alegre, mas como o clube não tinha condições de alojamento para dar a atleta e a família não tinha recursos para pagar hotel, ficou combinado que quando Alexandre completasse 15 anos, teria caminho aberto no Grêmio. Antes, porém, a sorte sorriu para o lado do arqui-rival e quis que fosse diferente. Com 10 para 11 anos, o supervisor das categorias de base do Internacional de Porto Alegre, Leonardo Alunson, pediu ao sr. Geraldo para que levasse Alexandre para uma avaliação para ver como se sairia no futebol de campo. O objetivo era compor uma equipe colorada para disputar a Efipan (Encontro de Futebol Infantil Pan-americano), de Alegrete (RS).

Acolhido pelo Beira Rio, Alexandre cresceu se aperfeiçoando no mundo esportivo e cultivando o sonho de tão logo, colher os frutos que hoje tem em mãos. Dos 11 aos 16 anos ele não teve salário. Do Internacional, ganhava hospedagem, alimentação e treinamento, a oportunidade que o pato-branquense precisava para se aperfeiçoar. Seu pai enviava até R$ 50,00 por mês, mas o filho se questionava que não poderia comprar algo diferente só para ele, sem dividir com os amigos. Geraldo revela que Alexandre comprava um litro de refrigerante, cinco pãezinhos e uma lata de leite condensado. Com os amigos, sentava na marquise do estádio e lanchavam juntos. Aos 15 anos, Alexandre foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira Sub-15, mas o Inter não o liberou, pois segundo seu pai, depois ficaria difícil segurar os interessados. A mãe salienta que antes de ser revelado na equipe profissional, o filho jogava no time B do Inter e sempre foi muito bem nas categorias de base. “Isso só não era mostrado para o mundo”. A história do crescimento profissional de Pato foi muitas vezes marcada por segredos, resguardo dos próprios dirigentes do clube, para protelar ao máximo o interesse de outros, principalmente estrangeiros, pelo jogador. O pai Geraldo percebia que o medo do Inter era que a família recebesse propostas de outras equipes, o que garante: não seria aceita. Com 15 para 16 anos, Alexandre assinou contrato com o Internacional.

Uma espécie de tumor, um cisto ósseo no braço, chegou por um momento a pôr em dificuldades a carreira de Alexandre Pato, quando adolescente. O ortopedista e traumatologista de Pato Branco, Paulo Roberto Mussi foi o responsável pela cirurgia que trouxe a solução para o caso de Alexandre. O médico afirma que o problema era incompatível com a vida de um atleta. “Ele tinha um tumor, o chamado cisto ósseo, que vai como que destruindo o osso. A consistência do osso fica como se fosse uma casca de ovo, muito fino e, com qualquer queda, se fratura, tanto que Alexandre já tinha tido algumas fraturas”, explicou Mussi. O ortopedista esclarece ser o que vulgarmente se chama de “fratura patológica”, ou seja, quando a fratura ocorre num osso que já está doente. O caso de Pato era diferente, por exemplo, de uma criança que apenas cai e quebra um braço, caracterizando uma fratura normal e não patológica. A família estava angustiada quando foi procurar Mussi, pois já havia ido a outros médicos, mas não tinha um diagnóstico formado e o filho continuava com as fraturas. No procedimento realizado pelo ortopedista e traumatologista foi retirado todo o tumor. “Foi ressecado esse tumor, feito um esvaziamento, remoção de todo o tumor, e essa cavidade que é enorme foi preenchida com enxerto ósseo. Na época o enxerto foi retirado do próprio Alexandre, mas como ele era pequeno, a quantidade não era suficiente e foi preenchido também com enxerto de banco de osso”. A autodoação foi retirada do osso ilíaco e feitos os acompanhamentos, pois poderia haver a reabsorção do tumor. Foi preciso em média seis meses de recuperação. “É um tumor incompatível com a vida de um atleta. Se ele não tratasse essa lesão não teria condições, pois em qualquer queda voltaria faturar esse osso com maior facilidade, pois é um osso que não tem uma estrutura resistente. É uma estrutura muito fraca e no futebol, se cai a cada dois minutos, ou seja, a cada lance ou dividida há uma possibilidade de cair”, finaliza Mussi.

Em junho de 2006, com apenas dezesseis anos de idade, Pato foi escalado pelo Internacional para disputar o Campeonato Brasileiro sub-20 contra adversários até quatro anos mais velhos. Mesmo assim, foi artilheiro da competição com sete gols e sagrou-se campeão vencendo na final o rival Grêmio por 4 a 0. Preparado para ingressar na equipe principal do Inter em novembro de 2006, sua estréia foi cercada de expectativas, treinos secretos e declarações entusiasmadas de dirigentes, que viam nele a promessa de um craque diferenciado. Pelo Internacional de Porto Alegre, ele jogou cinco anos nas categorias de base e apenas 27 partidas como profissional, fazendo 12 gols. A estréia no time principal do Internacional foi em 26 de novembro no Parque Antártica, contra o Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro de 2006. Alexandre Pato confirmou com sobras o que dele se esperava, ao marcar seu primeiro gol como profissional com apenas um minuto de jogo. No restante da partida, deu dribles desconcertantes nos marcadores, assistências para mais dois gols, cabeceou uma bola na trave e comandou a goleada do Internacional por 4 a 1, tudo isso no estádio do adversário.

Foi a vitória com a Seleção Brasileira Sub-20 na Copa Sendai no Japão, em agosto de 2006, que abriu de vez a porta para todo o mundo, principalmente os europeus, conheceram Alexandre Pato. O ponto culminante dessa revelação deu-se dia 2 de agosto de 2007, um mês antes de completar 18 anos, quando Pato foi contratado pelo Milan, da Itália, pelo valor de 20 milhões de dólares, a terceira maior transação da história do futebol brasileiro, só sendo superada pela ida de Denílson para o Real Betis em 1998 (40,5 milhões de dólares) e de Robinho para o Real Madrid em 2005 (30 milhões de dólares). Além disso, a venda do Pato é a mais alta realizada pelo Internacional até hoje, superando a transferência de Fábio Rochemback ao Barcelona em 2001 por 12 milhões de dólares.

Número de sorte desde o princípio da carreira, no Milan, Pato escolheu a camisa 7, que pertencia a Andriy Shevchenko, antigo ídolo do clube. Pato teve seu primeiro jogo com a camisa do Milan, em um amistoso contra o Dínamo de Kiev, no dia 6 de setembro de 2007, marcando o primeiro gol milano, no empate em 2 a 2, tendo ainda uma boa atuação durante a partida. Seu segundo jogo com a camisa milana, foi em um empate sem gols, contra o Athletic Bilbao, tendo boa atuação durante o primeiro tempo, mas sendo substituído no intervalo. Em sua estréia oficial pelo Milan no dia 13 de janeiro de 2008, na vitória de 5 a 2 sobre o Napoli, Pato teve ótima atuação durante a partida, marcando ainda o último gol do Milan, ao se livrar do zagueiro e tocar por baixo de Iezzo. Na comemoração, Pato foi muito festejado pelos companheiros e, com lágrimas nos olhos, beijou o escudo do Milan. Teve ainda seu nome ovacionado pela torcida, que gritava: "Olê, olê, Pato, Pato!!", por conta de uma bola que escapou de seu domínio. No jogo contra a Fiorentina, no dia 3 de fevereiro, Pato entrou no segundo tempo, marcando aos 31 minutos, após receber cruzamento de Kaká, o gol da vitória. Aos quarenta e três, ao tentar cortar uma jogada, Pato torceu o tornozelo esquerdo e saiu chorando de campo. Agraciado com o talento e um pouco de sorte, a carreira de Alexandre tem sido marcada, desde o ingresso no mundo futebolístico, aos 4 anos de idade, pela persistência na artilharia. É difícil um jogo em que o atacante não faça um gol, por muitas vezes, salvando o resultado do jogo tanto da Seleção Brasileira, quanto dos clubes que defende. Em 18 anos de vida, Alexandre Pato já conseguiu provar para o mundo que seus limites são infinitos e que tem muito ainda de si para dar: para a família, para seu clube, para seus fãs do Brasil e do mundo, pelo simples fato de que o futebol é o seu combustível mais precioso.
EscolaSériePeríodoMunicípio Escola Santana - Educação Infantil e Ensino Fundamental Jardim I e Jardim II 1992 e 1993 Pato Branco (PR) Colégio Vicentino Nossa Senhora das Graças - Ed. Infantil, Ensino Fundamental e Médio Jardim II 1994 Pato Branco (PR) Colégio Estadual La Salle Da pré-escola à 4ª série 1995 a 1999 Pato Branco (PR) Colégio Mater Dei - Ed. Infantil, Ensino Fundamental e Médio 5ª a início da 7ª série De 2000 até o mês de março de 2002 Pato Branco (PR) Colégio Estadual Euclides da Cunha - Ensino Fundamental 7ª série Março a dezembro de 2002 Porto Alegre (RS) Colégio Maria Imaculada 8ª série 2003 Porto Alegre (RS) Colégio Estadual de Ensino Médio Infante Dom Henrique 1ª série do Ensino Médio 2004 Porto Alegre (RS) Sociedade Educacional Leonardo da Vinci - Supletivo Unificado Ensino Médio - Etapa 5 2005 e 2006 Porto Alegre (RS)
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